Desde aquele longo dia de verão, em que uma ilusória onda gigante no mar de Quarteira ocupou o espaço mediático das televisões nacionais, que tenho uma certa dose de desconfiança sempre que oiço falar em ondas. E convenhamos que entre as ondas marítimas e as ondas políticas, muito existe em comum. Ambas vão e vem, umas existem de facto mas outras, como a de Quarteira, são pura ilusão de óptica. A diferença fundamental assenta no produtor da onda. Se no mar é um simples (porém complexo) ciclo que a natureza impõe, por outro, as ondas políticas, são criadas por pescadores de água doce que procuram nas profundezas vazias dos seus candidatos, pérolas que lhes garantam sustento.
Isto a propósito da tal onda que meia dúzia afirma existir, e penso que meia dúzia é ser simpático. Sei bem como se criam essas ilusões que depois do fumo se dissipar nada mais são que meras acendalhas num prado verde. Fico feliz por assim ser. Não por qualquer desejo de vitória alheia mas acima de tudo porque vejo que aqueles que realmente poderiam engrossar tal onda estão muito serenos a observar o cenário da praia. E quem são eles: os socialistas, pois claro.
Sei que nas hostes do Professor o assunto é recorrente e sei também que tem havido esforços de apaziguar problemas antigos, mas sei também que em politica tudo tem um preço e aqueles que á quatro anos não tiveram coragem de voltar costas ao Professor por respeito ao Dr. Aleixo, hoje estão na bancada VIP a rir baixinho de todo o circo que a pouco e pouco a candidatura vai montando.
A causa Socialista tem em Loulé grandes Homens que durante anos deram o corpo ao manifesto numa entrega que valeu ao concelho prósperos anos. Mas esses, como homens de bem que são, não dependentes do negócio politico partidário, sabiam e sabem que tudo tem o seu tempo e, na altura certa, souberam airosamente dar um passo ao lado nunca caindo na tentação populista do discurso fácil de oposição e mantendo a cabeça erguida.
Lançadas as premissas é tempo de interrogações. Se o Professor está a gerar uma grande onda de apoio, onde estão afinal os Socialistas? Onde estão os Homens e as Mulheres que marcaram a vida politica do concelho durante os anos dourados?
Não estão.
Estão de fora a assistir a todo o espectáculo. E estão nessa posição porque sabem ler politica e porque não esquecem as atitudes, as decisões e a forma como foram tratados pelo Professor. Com arrogância e com desprezo viveram perante alguém que instalou uma aura de grande estadista renegando as suas origens e se desligando daqueles que um dia lhe deram a mão. Mas o “efeito borboleta” não falha. E tudo o que fazemos um dia tem implicações no nosso futuro.
Por isso hoje olho para os homens fortes do Professor e vejo tudo menos Socialistas. Vejo oportunistas de ocasião que vestem a mascara de homens sociais e que têm um total desapego pelas causas dos mais necessitados. São vários e todos sabemos quem são. Diria até que são como o vento, mesmo não se vendo, sentem-se. Sim, porque as decisões claramente erradas da campanha do Professor não vêm só da sua mente. O Professor soube se rodear daqueles que pensam como ele: de forma plenamente eleitoralista.
Exemplo deste relato é o recente acontecimento visando a destruição de um suporte de campanha. Quem estava afinal ao lado do Professor no tal encontro com os senhores dos jornais?
Confesso que há tempos atrás me preocupava o facto de eventualmente ver certas pessoas pelas quais tenho grande consideração se envolverem neste triste espectáculo, mas hoje, vejo que essa possibilidade se esfumou e vejo que os Socialistas estão fora desta luta.
Pela sua coerência e pela sua espinha dorsal, aqui vos deixo a minha homenagem.
O Professor é cada vez mais um homem só que tem feito tudo para dar nas vistas e estar na agenda. O problema é que os tempos mudaram e o que era uma realidade absoluta nos anos 80, hoje é passado.
Assim como o Professor. Também é passado.